O plantio da segunda safra de milho avançou nas regiões do Centro-Norte nas últimas semanas, após atrasos causados pelo excesso de chuvas e pelo calendário tardio da soja. O ritmo mais lento em fevereiro limitou o início da semeadura, mas houve recuperação no início de março.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a área plantada chegou a 75,9% na primeira semana de março, frente a 21,6% no início de fevereiro. Mesmo com o avanço, o impacto do clima ainda é sentido em algumas regiões, com ajustes no planejamento dos produtores.
“Em diversas regiões o plantio da soja avançou até mais tarde e isso acabou empurrando o calendário da segunda safra de milho. Em alguns locais o produtor ainda conseguiu manter seu planejamento de safra, mas em outros houve necessidade de rever parte da estratégia de cultivo”, explica André Villar, gerente regional da Shull Seeds.
Em estados como Goiás, as chuvas dificultaram a colheita da soja e o plantio do milho, enquanto no Maranhão a área destinada ao cereal deve cair cerca de 20% em relação à safra anterior. Já no Tocantins, as condições climáticas favoreceram o andamento das lavouras.
O atraso reduziu a janela ideal de plantio em algumas áreas, levando produtores a diminuir a área de milho ou optar por outras culturas. Ainda assim, as lavouras já implantadas apresentam bom desenvolvimento inicial. A estimativa nacional é de 17,8 milhões de hectares e produção de 108,4 milhões de toneladas. O resultado final dependerá das condições climáticas nas próximas semanas.
“Mesmo com alguns ajustes regionais, o cenário geral da safrinha ainda é positivo. Se o clima continuar colaborando, as áreas já implantadas têm potencial para se desenvolver bem e contribuir para mais uma safra relevante de milho no país”, conclui.
