Safra de milho: clima e reservatórios elevam a expectativa de recorde

A expectativa para a segunda safra de milho no Brasil é de recorde, impulsionada pela estabilidade no nível dos reservatórios e pelo clima favorável. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o país apresenta hoje uma média nacional de 74% de volume útil disponível, patamar semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado.

O cenário é estratégico para o planejamento do produtor rural, que depende da disponibilidade hídrica e de energia elétrica para manter sistemas de irrigação em pleno funcionamento. Embora o excesso de chuva no verão e no início do outono tenha provocado atrasos no plantio, o volume de água acumulado garante segurança para o desenvolvimento das plantas.

Reservatórios e a distribuição hídrica

A situação dos reservatórios varia conforme a região, mas mantém uma média nacional robusta. Em Minas Gerais e na Bahia, os níveis estão em 70%, repetindo o desempenho de 2025. Já no Mato Grosso, a usina de Sinop registra 71% de volume.

No Distrito Federal, a barragem do Descoberto, responsável por abastecer mais da metade da população, atingiu sua capacidade máxima. Esse acúmulo é fundamental para evitar o "veranico" — período de seca curta durante a estação chuvosa — que costuma prejudicar a produtividade no campo.

Por outro lado, o sistema Cantareira, em São Paulo, opera com 43% de sua capacidade, abaixo dos 58% registrados no ano anterior. No Nordeste, estados como Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte também apresentam estoques menores do que em 2025, mas ainda há expectativa de recuperação, já que as regiões estão na metade do seu período chuvoso.

Expansão do milho e o mercado de etanol

Especialistas apontam que, apesar do início tardio da segunda safra, o desenvolvimento das lavouras é considerado bom em todas as áreas plantadas. A janela entre o final de abril e o início de maio será determinante para consolidar o potencial produtivo, caso as temperaturas e chuvas permaneçam adequadas.

A projeção de uma nova safra recorde deve atender a um consumo interno em ascensão. O setor de etanol de milho é o principal motor dessa demanda, com previsão de solicitar 6 milhões de toneladas a mais do que no ciclo anterior.

No mercado externo, o Brasil deve enfrentar uma concorrência acirrada. Safras recordes nos Estados Unidos e na Argentina colocam pressão sobre as exportações brasileiras, o que exige eficiência logística e competitividade nos preços do grão para manter o protagonismo global.

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