Café abre em alta com petróleo acima de US$ 100, custos logísticos no radar e clima acompanhando a safra brasileira

O mercado futuro do café iniciou a sessão desta terça-feira(31),  com valorização nas bolsas internacionais, acompanhando o ambiente externo mais firme e a manutenção do petróleo acima de 100 dólares por barril, fator que eleva a atenção sobre os custos de transporte e logística. O cenário geopolítico segue pressionando a commodity energética, com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, sustentando os preços e influenciando o comportamento das commodities agrícolas.

Na ICE Futures US, o contrato de café arábica com vencimento em maio/26 abriu cotado a 295,90 cents por libra peso, com alta de 335 pontos. O julho/26 iniciou o dia a 289,45 cents, registrando ganho de 285 pontos, enquanto o setembro/26 abriu a 277,70 cents por libra peso, com avanço de 210 pontos.

Em Londres, o robusta também começou o pregão em valorização. O contrato maio de 2026 abriu a 3.465 dólares por tonelada, com alta de 46 pontos. O julho de 2026 iniciou a sessão a 3.376 dólares, com ganho de 28 pontos, enquanto o setembro de 2026 abriu a 3.314 dólares por tonelada, registrando avanço de 23 pontos.

O suporte externo vem da manutenção do petróleo em patamares elevados, com o WTI para maio operando acima de 103 dólares por barril e o Brent acima de 114 dólares, impulsionados pela sinalização do governo dos Estados Unidos de que uma operação para reabrir totalmente a rota marítima no Oriente Médio poderia prolongar o conflito. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz mantém a preocupação com a oferta global de energia e impacta diretamente os custos de frete marítimo e transporte terrestre.

Esse movimento é relevante para o café porque a commodity depende fortemente da logística para exportação, especialmente no Brasil, maior produtor mundial. Custos mais altos de transporte tendem a influenciar a formação de preços e as estratégias de comercialização, fator que passa a ser monitorado pelos participantes do mercado nesta abertura.

Além do cenário logístico, as condições climáticas nas regiões produtoras brasileiras também permanecem no radar do mercado. As chuvas registradas nas últimas semanas em áreas do Sul de Minas, Cerrado Mineiro e parte do Espírito Santo têm contribuído para o enchimento final dos grãos e para a manutenção da umidade do solo, favorecendo o desenvolvimento das lavouras em fase final antes do início mais intenso da colheita. Ao mesmo tempo, a previsão de retorno de períodos mais secos em parte das áreas produtoras tende a favorecer a maturação e o avanço dos trabalhos de campo, fator acompanhado por produtores e exportadores.

A combinação entre custos logísticos elevados e condições climáticas relativamente favoráveis mantém o mercado sensível a novas informações ao longo do dia. Operadores avaliam que qualquer alteração no clima ou nos fretes pode impactar diretamente o ritmo de comercialização, especialmente em um momento em que o Brasil se aproxima do período de colheita.

A abertura positiva reflete suporte externo, enquanto o clima contribui para expectativas produtivas mais estáveis. Ainda assim, o cenário continua exigindo atenção, já que variáveis como petróleo, logística, clima e comportamento da oferta seguem determinantes para as oportunidades de preço no curto prazo. 

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