A falta de planejamento nas compras e operações da safra amplia custos, pressiona a logística e reduz a eficiência do agronegócio. A avaliação é de Leandro Weber Viegas, produtor rural e CEO da Sell Agro, que aponta a concentração de decisões entre agosto e outubro como fator de urgência na cadeia.
Segundo o executivo, o problema se repete todos os anos. Compradores aceleram negociações, indústrias concentram a produção, transportadoras operam no limite e equipes comerciais atendem, em poucas semanas, demandas que poderiam ser distribuídas ao longo de meses.
Embora o produtor planeje com antecedência sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e financiamento, decisões sobre adjuvantes, tecnologias de aplicação e soluções complementares ainda ocorrem perto do início das operações. Isso reduz a previsibilidade da indústria, limita o transporte, eleva custos e aumenta os riscos para distribuidores e produtores.
Na análise de Viegas, a compra de última hora nem sempre traz vantagem. Uma condição comercial melhor pode perder valor diante de atrasos, falta de produtos ou aumento das despesas operacionais. No campo, poucos dias também podem comprometer a janela ideal de aplicação.
Para o executivo, a previsibilidade deve ser tratada como vantagem competitiva. O período anterior à safra deveria ser usado para recebimento, organização de estoques e alinhamento operacional, e não para decisões tardias. O ganho aparece em toda a cadeia, principalmente para o produtor.
“O agro moderno foi construído sobre eficiência, e esta dificilmente nasce da urgência. Ela nasce de planejamento, previsibilidade e da capacidade de olhar alguns meses à frente. Porque, no fim das contas, a melhor negociação não é necessariamente aquela fechada no último minuto, mas aquela que permite que toda a cadeia funcione em harmonia e ofereça ao produtor a tranquilidade necessária para fazer aquilo que sabe fazer melhor: produzir”, conclui.
