Trigo valoriza enquanto Brasil reduz área e produção em 2026

Os preços do trigo avançaram em agosto em importantes regiões produtoras do Brasil, em um cenário de menor disponibilidade interna, valorização do cereal no mercado internacional e alta do dólar frente ao real. De acordo com dados da Agromensal do Cepea, as negociações no mercado disponível continuaram pontuais, enquanto compradores passaram a direcionar parte da demanda para os volumes da nova safra, com entregas previstas principalmente entre meados de setembro e outubro.

No Paraná, a média do cereal alcançou R$ 1.429,23 por tonelada em agosto, avanço de 2,8% em relação a julho. Apesar da recuperação mensal, o valor ficou 2,8% abaixo do observado no mesmo período de 2025, em termos reais. No Rio Grande do Sul, o trigo registrou média de R$ 1.325,91 por tonelada, alta de 0,7% no mês e de 0,1% na comparação anual. Santa Catarina também apresentou valorização mensal, de 1%, com preço médio de R$ 1.363,96 por tonelada. Na comparação com agosto do ano passado, porém, a cotação catarinense ficou 7,1% menor.

São Paulo seguiu movimento diferente. O preço médio atingiu R$ 1.440,35 por tonelada, queda de 5% frente a julho e de 1,9% na comparação anual. Conforme a Agromensal, o recuo esteve relacionado ao avanço da colheita no estado durante agosto.

O cenário internacional também deu sustentação às cotações brasileiras. Os contratos futuros negociados nas bolsas de Chicago e Kansas registraram fortes altas no fim de agosto, diante da paralisação do escoamento de grãos na região do Mar Negro. No dia 28, os contratos com vencimento em setembro de 2026 atingiram os maiores valores nominais de suas respectivas séries históricas.

A redução no fluxo de grãos pela região tem peso relevante para o abastecimento mundial. Dados do USDA apresentados pelo Cepea mostram que Rússia e Ucrânia responderam, juntas, por mais de 29% das exportações globais de trigo nos últimos cinco anos-safra. Para a temporada atual, a expectativa é de exportações de 46 milhões de toneladas pela Rússia e 13,5 milhões de toneladas pela Ucrânia.

Com a logística afetada pelo conflito e menor presença do trigo russo no mercado, os preços internacionais reagiram. Em Chicago, a média do primeiro vencimento ficou em US$ 6,7626 por bushel em agosto, equivalente a US$ 248,48 por tonelada, alta de 4,4% no mês e de 32,9% em um ano. Em Kansas, a valorização mensal chegou a 7,4%, e a anual, a 48%.

No Brasil, as perspectivas para a safra de 2026 reforçam o cenário de menor oferta. Dados da Conab apresentados na Agromensal indicam que a área cultivada com trigo deve cair para 1,947 milhão de hectares, o menor nível desde 2017. A estimativa representa redução de 4,4% frente ao levantamento anterior e de 20,4% em relação à temporada de 2025.

A produção brasileira também foi revisada para baixo. A projeção passou para 5,813 milhões de toneladas, queda de 3,5% em relação à estimativa anterior e de 26,2% na comparação anual. A produtividade prevista é de 2,986 toneladas por hectare, recuo de 7,2% frente ao ano passado.

Com menos trigo disponível internamente, a Conab elevou a previsão de importações para 7,1 milhões de toneladas entre agosto de 2026 e julho de 2027. A estimativa de estoques finais, por sua vez, foi reduzida para 900 mil toneladas, volume 31% inferior ao levantamento anterior e 39% abaixo do previsto para a safra de 2025. Até 28 de agosto, a colheita havia alcançado 8,1% da área cultivada no País. Os trabalhos estavam mais avançados em Goiás, com 80%, Mato Grosso do Sul, com 70%, e Minas Gerais, com 61%. São Paulo registrava 8% da área colhida e o Paraná, 1%.

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