A tarifa de 40% mantida pelos EUA sobre o café brasileiro coloca o Brasil em desvantagem frente a concorrentes, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, ao Mercado Aberto, do Canal UOL. O cenário preocupa exportadores, que veem risco de perda de mercado.
A menor safra nacional agrava o quadro, e especialistas temem que a mudança de blends e fornecedores se torne permanente.
Por mais que as medidas tenham sido com o objetivo de reduzir a inflação no ambiente interno, a gente fica muito preocupado com toda essa dinâmica, porque a questão quando você exporta não é exatamente só a sua tarifa, é como é a sua tarifa em relação a todos os seus concorrentes. E como nossos concorrentes estão? Os nossos concorrentes estão com a tarifa zerada e nós estamos com 40%. Então essa medida para o Brasil amplia uma distorção e nos distancia dos nossos concorrentes em termos de competitividade.
Marcos Matos
Isso é um grande prejuízo para o Brasil, porque os nossos concorrentes estão fazendo contratos, contratos de curto, médio, longo prazo, estão estruturando relações comerciais,olhando o futuro, os consumidores estão se adaptando a esses novos blends, a esses novos parâmetros sensoriais. Então, o que é um prejuízo hoje pode ser um prejuízo maior amanhã e pode ser, inclusive, irreversível.
Marcos Matos
Apesar da queda nas exportações devido à safra menor, Marcos Matos destaca que o Brasil mantém vendas para 120 países, mas defende que não se pode abrir mão do mercado americano e que a negociação bilateral precisa priorizar produtos estratégicos.
O Brasil exporta para 120 países, mas estamos com níveis mais baixos, dado que é uma safra bem menor de 2025. O que é importante destacar é que nós não podemos abrir mão do principal mercado, que é a sede das grandes empresas que inclusive operam no mundo todo
