O que está fazendo o arroz subir no mundo inteiro

A combinação entre redução da oferta, aumento dos custos agrícolas e tensões geopolíticas voltou a pressionar o mercado internacional de arroz. Segundo análise de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, o cenário atual reúne fatores que podem impactar diretamente a produção e os preços globais nos próximos meses.

Em maio de 2026, o arroz branco tailandês 5% quebrado alcançou US$ 446 por tonelada, maior valor desde fevereiro de 2025. Ao mesmo tempo, dados do USDA apontam a primeira queda da produção mundial em 11 anos. A estimativa é de 537,9 milhões de toneladas produzidas, enquanto o consumo global deve atingir recorde de 541,3 milhões, reduzindo os estoques internacionais.

De acordo com a avaliação de Cardoso, o principal elemento deste novo ciclo não está relacionado ao clima, mas ao ambiente geopolítico. O fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu parte importante do comércio global de ureia, fertilizante amplamente utilizado na agricultura, provocando forte elevação nos preços.

Em poucas semanas, a ureia granulada negociada no Sudeste Asiático passou de cerca de US$ 490 para US$ 750 por tonelada. Em países produtores, como o Vietnã, houve redução significativa das importações de fertilizantes, aumentando os custos de produção e alterando o planejamento dos agricultores.

Os reflexos já começam a aparecer em diferentes regiões produtoras, com redução de área plantada, atraso no plantio e menor aplicação de fertilizantes. A tendência é de maior pressão sobre a produtividade futura e possíveis impactos sobre a oferta mundial de arroz entre os próximos seis e 12 meses.

No cenário internacional, a Índia segue como principal fator de equilíbrio do mercado. O país concentra estoques próximos de 42 milhões de toneladas e responde por cerca de 40% do comércio mundial de arroz. Qualquer mudança na política de exportações indiana pode provocar novas oscilações no mercado global.

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