O mercado de laranja iniciou a safra 2026/27 com preços pressionados no Brasil e no exterior, apesar da perspectiva de uma produção menor no cinturão citrícola. A maior disponibilidade de suco nos Estados Unidos e a postura cautelosa da indústria diminuíram a percepção de urgência nas compras, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Preços recuam no início da temporada
Nos 30 dias encerrados em 11 de agosto, o contrato de suco de laranja negociado em Nova York caiu 6%, para cerca de USDc 139 por libra-peso. No Brasil, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA com informações do Cepea, a caixa de 40,8 quilos destinada à indústria foi negociada a R$ 30, queda de 2,3% em 30 dias.
A retração ocorreu mesmo com uma perspectiva menor para a colheita. A Consultoria Agro do Itaú BBA destaca a estimativa do Fundecitrus de produção de 255 milhões de caixas em 2026/27. Ainda assim, o comportamento das cotações mostrou que a disponibilidade imediata de fruta e o ritmo das negociações estavam pesando mais nas decisões da indústria naquele momento.
As exportações de suco apresentaram recuperação em volume. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os embarques de julho totalizaram 75 mil toneladas em equivalente FCOJ e geraram receita de USD 180 milhões. O volume aumentou 7,3% na comparação anual, mas o preço médio caiu 44,1%, para USD 2.391 por tonelada, provocando redução de 40% no faturamento.
Estoques americanos mudam equilíbrio do mercado
A distribuição dos embarques também mudou. Conforme a Consultoria Agro do Itaú BBA, os Estados Unidos absorveram 56% das exportações brasileiras de suco, com crescimento de 34% na comparação anual. Já a União Europeia respondeu por 30% e apresentou retração de 35%.
Nos Estados Unidos, a recomposição dos estoques ajuda a explicar a dificuldade de recuperação das cotações. De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, com dados do USDA, os estoques de suco concentrado somavam 217 mil toneladas no fim de junho, 41% acima do volume de um ano antes e aproximadamente 20 mil toneladas superiores à média dos últimos cinco anos.
A curva de futuros reforça a percepção de um mercado menos apertado. Segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os contratos saíam de aproximadamente USDc 139 por libra-peso em setembro de 2026 para cerca de USDc 156 em setembro de 2027, uma valorização gradual que indicava ausência de expectativa imediata de escassez.
O principal risco de alta permanece ligado ao clima. A Consultoria Agro do Itaú BBA observa que o El Niño pode afetar as floradas entre setembro e novembro e comprometer o potencial do cinturão citrícola. O relatório ressalta, porém, que esse risco ainda não havia se materializado e que seus eventuais efeitos seriam sentidos principalmente na safra 2027/28.
