IGP-DI acende alerta para custos no campo

A inflação medida pelo IGP-DI mostrou leve alta em agosto, interrompendo a expectativa de uma terceira deflação consecutiva e trazendo sinais de pressão concentrados principalmente nos preços ligados ao campo. Segundo André Galhardo Fernandes, economista-chefe, o avanço de 0,06% é pequeno, mas a composição do indicador merece atenção pela mudança observada nos custos ao produtor.

O Índice de Preços ao Produtor, responsável por 60% do IGP-DI, passou de queda de 1,31% em julho para alta de 0,10% em agosto. A reversão foi puxada pelo setor agropecuário, com aumentos nos preços de soja, milho, bovinos e carne bovina. As matérias-primas brutas também mudaram de direção, saindo de retração de 3,02% para avanço de 1,43% no período.

Na indústria, porém, os preços continuaram em queda, contribuindo para limitar a alta do índice geral. O cenário mostra uma diferença entre as pontas da cadeia: enquanto o produtor rural deixou de oferecer redução de preços, a indústria ainda enfrenta dificuldade para realizar repasses.

Para empresas que compram commodities agrícolas e vendem produtos industrializados, a combinação representa aumento do custo de entrada ao mesmo tempo em que os preços de saída permanecem limitados. A avaliação é de que, caso a alta na origem seja mantida, o movimento poderá atingir o custo de reposição do varejo alimentar nos próximos dois a quatro meses.

Outro ponto de atenção está na defasagem entre compra e venda. Os preços atualmente praticados ainda refletem custos registrados cerca de dois meses antes. Assim, embora o consumidor tenha encontrado algum alívio em agosto, os agentes posicionados no meio da cadeia enfrentam uma pressão diferente, especialmente na atualização dos custos de reposição das categorias agrícolas.

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