Falta de comunicação com os EUA agrava crise tarifária, avalia presidente da Adial

Manutenção das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos preocupa a indústria goiana e nacional, especialmente fornecedores de peças, máquinas, equipamentos e tecnologias para o setor produtivo. Segundo Edwal Portilho, o Tchequinho, presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), a medida soma-se a uma tarifa já existente de 10% e pode inviabilizar diversos segmentos exportadores. A declaração foi dada em entrevista sobre os impactos do tarifaço americano no comércio exterior brasileiro.

O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que impõe uma sobretaxa de 25% sobre produtos de origem brasileira, tem gerado apreensão entre representantes da indústria nacional. De acordo com Tchequinho, a medida não pode ser desconsiderada, já que atinge diretamente a indústria brasileira fornecedora de peças, equipamentos, máquinas e tecnologias para as quais o país ainda não figura entre os grandes exportadores mundiais — cenário agravado pelo fato de os Estados Unidos serem o maior mercado consumidor do planeta.

Diante desse quadro, o presidente da Adial defende maior articulação diplomática e mobilização das lideranças dos setores afetados. Segundo ele, é necessário tratar o assunto com profissionalismo junto aos canais de comercialização americanos, reforçando a comunicação entre os dois países sobre as práticas produtivas brasileiras.

Tchequinho relaciona a nova tarifa ao artigo 301 da legislação comercial americana, dispositivo que permite a aplicação de sobretaxas a produtos originários de países com histórico de irregularidades como trabalho análogo ao escravo e desmatamento. Para o dirigente, cabe às regiões produtoras brasileiras demonstrar, com dados e evidências concretas, que essas práticas não correspondem à realidade de estados como Goiás e da região Centro-Oeste.

De acordo com o presidente da Adial, a agricultura empresarial brasileira — tecnificada e moderna — precisa ser apresentada aos americanos como prova de que a produção regional não está associada a trabalho escravo nem a desmatamento, e que preserva o meio ambiente na produção de alimentos.

Na avaliação de Tchequinho, a indústria observa com apreensão a soma dos 25 pontos percentuais adicionais aos 10% já cobrados pelos Estados Unidos, tarifa que, segundo ele, tem o objetivo de arrecadar mais recursos e tornar os produtos americanos mais competitivos no mercado interno. Para o dirigente, esse acréscimo torna inviável a atuação de boa parte dos segmentos impactados.

O presidente da Adial defende que o Brasil precisa comprovar aos americanos que suas regiões produtoras adotam boas práticas de produção, e que essas práticas estão abertas à verificação internacional. Segundo ele, é preciso expor e comunicar de forma mais eficiente essa realidade, para que lideranças comerciais e políticas dos Estados Unidos reconheçam o Brasil Central e o Cerrado brasileiro como polos de produção de alimentos social e ambientalmente sustentáveis.

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