Crédito segue disponível, mas nem todos terão acesso

O crédito rural brasileiro entra em uma fase de maior cautela, acompanhando a mudança de ritmo do agronegócio após anos de expansão das commodities, aumento da renda no campo e avanço dos investimentos. Segundo Fabrício Delgado do Nascimento, engenheiro agrônomo, a safra 2026/2027 deve marcar uma transição para um ciclo de estabilização, com margens mais estreitas, maior seletividade financeira e reorganização do endividamento.

Mesmo com a manutenção de um volume expressivo de recursos no Plano Safra, o perfil das concessões mudou. O financiamento deixou de estar concentrado apenas na ampliação da capacidade produtiva e passou a priorizar a sustentação da atividade, a preservação do fluxo de caixa e a gestão de riscos.

Os dados apontam que 74,5% das concessões empresariais foram destinadas à Cédula de Produto Rural e ao custeio da produção. Já os investimentos responderam por apenas 10,6% do crédito. Além disso, menos de 60% dos recursos equalizados programados foram efetivamente utilizados, enquanto a CPR se consolidou como o principal instrumento de financiamento da produção.

A tendência é de que o crédito continue disponível, mas com distribuição cada vez mais ligada à qualidade das operações. Instituições financeiras devem privilegiar produtores com melhor capacidade de pagamento, governança e gestão financeira.

Na avaliação do engenheiro agrônomo, a recuperação mais consistente dependerá da redução do custo financeiro, da melhora das margens do produtor e do avanço na qualidade das carteiras das instituições. Com isso, quem antecipar esse movimento poderá estruturar investimentos com mais segurança, definir estratégias de financiamento e aproveitar oportunidades quando um novo ciclo de expansão ganhar força.

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