O cenário econômico combina sinais de desaceleração doméstica, inflação pressionada no curto prazo e incertezas externas que seguem influenciando câmbio, juros e commodities. Segundo análise do Rabobank, o ambiente permanece marcado pela volatilidade do petróleo, pelas tensões geopolíticas e pela expectativa de redução do diferencial entre juros locais e externos ao longo de 2026.
No exterior, Estados Unidos e China anunciaram um acordo para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações de cada país, buscando estabilizar as relações comerciais e facilitar exportações. Ao mesmo tempo, o conflito entre Estados Unidos e Irã segue no radar, enquanto o petróleo Brent permanece volátil e acima de US$ 100.
No Brasil, a ata do Copom reforçou que o corte de juros representa uma calibração cautelosa, apoiada por sinais mais claros de desaceleração da atividade, do crédito livre e da inflação corrente. Ainda assim, o IPCA-15 de setembro avançou 0,70% no mês, acima das projeções de mercado e do Rabobank, com pressão de Habitação, Transportes e Alimentação, com destaque para energia e passagens aéreas.
A arrecadação federal somou R$ 235,6 bilhões em agosto, com alta real de 8,3% em relação ao ano anterior. Pelo segundo mês seguido, houve contribuição do Imposto de Exportação sobre óleo bruto, que alcançou R$ 1,9 bilhão.
No câmbio, o dólar encerrou a semana anterior em R$ 5,1716, com depreciação de 0,57% do real. O Rabobank projeta a moeda em R$ 5,35 no fim do ano, diante da perspectiva de menor diferencial de juros, recuperação global do dólar e fragilidade fiscal em ano eleitoral. A agenda da semana inclui dados de contas externas, mercado de trabalho, inflação, contas públicas e produção industrial no Brasil, além de indicadores no Chile, Colômbia e Peru.
