A produção de combustíveis para aviões e caminhões pode ampliar os mercados do etanol de milho brasileiro. A avaliação é do engenheiro agrônomo Felipe Treitinger, que vê na diversificação uma oportunidade de reduzir a dependência do setor em relação aos carros flex.
A JetBio, do Summit Agricultural Group, reformulou um projeto de US$ 2 bilhões em Paulínia (SP) para fabricar combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável a partir do etanol. A tecnologia será da Honeywell UOP, e a FS deverá fornecer cerca de 1,8 bilhão de litros de etanol por ano.
O movimento ocorre diante de uma demanda por SAF inferior à esperada. O diesel representa um mercado maior. Segundo dados da StoneX citados por Treitinger, o Brasil importou 17,3 bilhões de litros em 2025, aproximadamente 20% do consumo nacional.
A expansão, porém, depende de viabilidade econômica e escala. A decisão final de investimento está prevista para 2027, com início da produção projetado para 2030. A maior parte do volume deverá ser exportada, e o diesel renovável deve custar mais que o fóssil.
Para os produtores de milho, a abertura de mercados pode trazer mais liquidez e menor concentração de risco. Para as usinas, envolve novos contratos e exigências de certificação, eficiência e pegada de carbono.
“Não sei se essa rota vai se provar viável em grande escala. Mas estou convencido de que o etanol de milho brasileiro ainda está no começo da sua história. As empresas que entenderem cedo para onde essa molécula pode ir terão vantagem sobre quem continuar olhando apenas para a bomba do posto. Talvez a principal pergunta não seja quanto etanol o Brasil vai produzir nos próximos anos. Seja quantos mercados diferentes ele será capaz de abastecer”, conclui.
Analista vê novos mercados para o etanol de milho
